sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Macrobiótica Zen - Capítulo II

A MINHA TERAPÊUTICA
( Transcrição completa do Livro de George Ohsawa)

De conformidade com a medicina do Extremo-Oriente, segundo eu a entendo, não existe terapêutica ou remédios, porque a própria Natureza, mãe de toda a vida do universo, é a grande e a maior curadora. Toda a doença, infelicidade, crime e o castigo resultam da má conduta, isto é, de uma conduta que violenta a Ordem do Universo.
A nossa cura, portanto, é infinitamente simples. Consiste, simplesmente, em suspender a violação da ordem e permitir que a Natureza execute seu trabalho miraculoso. Toda a doença pode ser curada completamente em 10 dias, de acordo com a nossa concepção filosófica do mundo e da constituição do Universo. Logicamente, toda a doença está localizada ou até alimentada por nosso sangue, do qual um décimo se decompõe todos os dias, na proporção de 300.000.000 de glóbulos por segundo. Por conseguinte, nosso sangue deve ser totalmente transformado e completamente renovado em dez dias, por uma alimentação biologicamente normal e bio-ecologicamente natural. O que é natural é determinado pela consideração, tanto das necessidades biológicas inatas do organismo humano, como pelas necessidades que são superimpostas pelas condições do ambiente, tais como o tempo (condições atmosféricas) altitude, tipo de atividade e estação do ano.
Se bem que a teoria e sua lógica sejam bem compreensíveis, a técnica de sua aplicação é delicada e pode tornar-se muito complexa.
Consoante o conceito tradicional oriental de que nenhuma teoria sem uma técnica prática é útil e que nenhuma técnica sem uma teoria simples e clara é segura, minha terapia é muito simples:

1 - alimento natural
2 - abstenção de drogas
3 - abstenção de cirurgia
4 - eliminação da inatividade

Com efeito, é muito difícil encontrar, hoje em dia, alimentos e bebidas naturais. Entretanto, uma vez compreendido o Principio único de toda a filosofia e ciência do Oriente, a estrutura do Universo e sua ordem, nada vos poderá desanimar. Sereis bem sucedidos.
É simples a teoria de nossa velha filosofia. Sua aplicação em nossa vida diária é que pode tornar-se tão complicada, como o são nossa cozinha moderna, nossos mercados, nossa agricultura e nossa indústria. Tudo dependerá, porém, de vosso entendimento e de vossa eficiência.

INFELICIDADE, DOENÇA E CRIME

Segundo Toynbee, todas as quedas e decomposições dos impérios mundiais e suas civilizações originaram-se internamente. Similarmente, a infelicidade, as doenças e o crime de que sofre o homem, originam-se dentro dele mesmo. Sua própria cegueira com relação à vida e ignorância da constituição do Universo são a raiz de todo o seu sofrimento, pois sendo ele o Príncipe da Criação, nasceu no seio da felicidade celestial.

DOENÇAS INCURÁVEIS

A chamada doença incurável no homem é fantástica e um produto da imaginação. Eu vi milhares de pessoas doentes, ditas incuráveis, como diabéticos, paralíticos de todas as espécies, leprosos, epilépticos, asmáticos, etc., curarem-se em dez dias ou em algumas semanas pela dialética e dietética macrobiótica. Estou convencido, por isso, de que não existem moléstias incuráveis neste mundo se aplicarmos este método corretamente.

TRES CATEGORIAS DE CURA

De acordo com a nossa teoria, existem três categorias de cura:

1 - Sintomática. Eliminação e destruição dos sintomas por métodos sintomáticos – cura paliativa, física, violenta. É a medicina sintomática, animal ou mecânica.

2 - Educacional, baseada no desenvolvimento do discernimento, que permite ao homem estabelecer e manter controle de sua saúde física. (É a medicina do homem).

3 - Criativa, (Espiritual), que consiste em viver, sem medo ou ansiedade, uma vida de plena liberdade, felicidade e justiça ou, por outras palavras, a auto-realização. Esta é a medicina da mente, do corpo e da alma.

Se estiverdes em dúvida quanto à aplicação, a qualquer custo, da terceira categoria, por vós mesmos e para vós mesmos, é inútil continuar a estudar este livro. Podeis encontrar uma cura temporária na primeira categoria, através da medicina popular, ortodoxa ou oficial ou caseira, e na segunda categoria através de algum método espiritual ou psicológico. A terceira categoria, no entanto, é
a estrutura eterna que se eleva acima das decepções e insucessos das outras duas.

O QUE NÃO DEVEMOS CURAR

Não existem doenças incuráveis para Deus, Criador deste Universo Infinito - o reino da liberdade, da felicidade e da justiça. Existem, não obstante, pessoas a quem não podemos curar, ou a quem não podemos ensinar a se curar. São os arrogantes, que nada desejam saber, antes de mais nada, sobre a estrutura (constituição) do Universo Infinito e seu Princípio único (o Reino dos Céus e sua
Justiça). Não compreendem que sem esse conhecimento, jamais terão a fé que remove montanhas e as lança ao mar.
Se não tiverdes a vontade de viver a vida mais simples e sentir-vos felizes com o mínimo indispensável, não deveis nem podeis ser curados.

VIVER PARVO

As pessoas doentes incessantemente expressam o desejo de serem curadas; firmam que têm a vontade de se libertar do seu mal, a todo preço. Vontade desta categoria não é senão o simples desejo de se recolherem em si próprias; de escapar do estado em que se encontram, por outras palavras, mera forma de derrotismo. Revela a recusa em aceitar a ordem eterna da vida, a ordem que oscila entre o problema e o prazer. Viver em um estado estático, que inclui somente uma condição e exclui a outra, é impossível: temos que recriar, continuamente, nossa própria felicidade pelo reconhecimento e a cura de doenças a cada instante de nossas vidas.
Muitas pessoas desejam ser curadas por outras ou por qualquer instrumento, passando por cima de sua própria responsabilidade, a causa de sua doença: “mea-culpa”, meu crime. São os descendentes da raça de serpentes. Não devem e não podem ser curadas. Não merecem uma cura completa ou o Reino dos Céus. O “querer”, em contraste, é único e atua de maneira bem diferente.
A vontade de viver começa pela pesquisa da causa primária de toda a infelicidade, de todas as doenças, de todas as injustiças no mundo, e então procura eliminá-Ias, sem o uso de meios violentos e artificiais. Vence e conquista através de métodos que estão de acordo com as normas do Universo Infinito, natural e pacificamente. Procurar curar somente os sintomas e controlar a saúde sem aceitar a responsabilidade, não é senão a manifestação de exclusivismo e egoísmo. Eclipsa e nega a Vontade, a ordem do Universo Infinito.

SATORI

O Satori, para o oriental, é a convicção tangível e lógica a que ele chegou, corpo e alma do Reino da Liberdade, da Felicidade e da Justiça.
Se vossa jornada em direção ao Satori vos parece interminavelmente longa, é porque vossa orientação está errada, e vosso progresso lento; é porque aplicais, a fórmula (“IGNORAMUS, IGNORABIMUS”), (não sabemos e jamais saberemos), ponto de vista originalmente expresso por cientistas como Du Bois Raymond, e Henri Poincaré, etc. Esta, em essência, é a posição de todas as pesquisas científicas e filosóficas do Ocidente, que atualmente prevalecem em todo o mundo.
E, não obstante, o que a ciência preconiza que jamais poderá ser conhecido, era conhecido há milhares de anos no Oriente. Para encontrar Satori, basta modificardes vossa orientação: “Ignoramus” Satori. Nós, humildemente, admitimos que não sabemos nada, mas acreditamos que é possível saber.
Meditemos (pensemos) e estudemos profundamente, e então saberemos tudo”. (Por esta razão, os centros macrobióticos são chamados Centre Ignoramus).
Não há nada oculto ou místico a respeito da concepção do Satori.
Se desejas atingir o Satori, deveis, antes de mais nada, estudar a nossa filosofia (base de todas as religiões), para que possais compreender a maravilhosa estrutura (constituição) do Universo Infinito e sua Justiça e praticar todos os dias, estritamente, a técnica chamada macrobiótica.
Para vos tornardes um bom motorista ou um bom piloto é necessário começardes por aprender o mecanismo, valor, funcionamento do veículo e as leis da energia. Do mesmo modo, sois obrigados, a conhecer o vosso corpo e ser seu médico.
Os pássaros, os peixes e todos os animais na Natureza são bons volantes e pilotos. Mesmo um micróbio é o seu próprio médico, e não necessita de hospital ou de farmácia. A farmácia é o símbolo ou o barômetro da ignorância do povo, que ignora o “Mea Culpa”.

CORAGEM, HONESTIDADE E JUSTIÇA

Aquele que é aplaudido como corajoso, ignora a coragem; está tão totalmente envolvido em sua ação corajosa, que não tem tempo de contemplar o que está fazendo. Isto é, ele não sabe o que é a coragem no sentido como nós, como observadores de sua ação, o sabemos.
Aquele que é perfeitamente honesto, da mesma forma ignora o que seja a honestidade; como também aquele que é justo, ignora o que seja a justiça; aquele que tem boa saúde, ignora a saúde. São todos humildes. O conhecimento é a carteira de identidade do mundo limitado, relativo e ilusório, e não a do Reino Infinito dos Céus.
Se estiverdes seguros das vossas aptidões, das vossas qualidades, dos vossos conhecimentos, da vossa fortuna, sois prisioneiros deste mundo limitado. Se afirmais saber o que é coragem, honestidade, justiça, paciência, saúde, não sois modestos e na realidade sois alheios a todas essas qualidades. Aqui está a ausência do problema: a coragem, a honestidade, a justiça, a felicidade e a liberdade não podem ser concedidas por outrem; deveis vivê-Ias por vós mesmos e para vós mesmos. Se elas dependem de outros, ou de certas condições, são emprestadas e não vossas. Se alguém garantir a vossa liberdade, vossa liberdade será vossa dívida. Quanto maior tal liberdade, tanto maior vosso débito.
Felicidade, liberdade e justiça devem ser infinitas, incondicionais e ilimitadas. Procurá-las nos outros ou de outros ou se dependerem das condições da Sociedade em que viveis, vossa dívida será interminável. Tereis que viver uma vida de escravo.

TOLERÂNCIA

Se tiverdes que aprender a ser tolerante, revelais que vossa compreensão é limitada. Não há nada intolerável neste mundo. Todas as coisas são toleráveis. Toda a Natureza (pássaros, abelhas, animais, peixes) e toda a criatura humana realmente livre, aceita tudo, tanto o bom como o mau tempo, tanto a morte como a vida, tanto as dificuldades como os prazeres, sempre com grande satisfação. Não
há protestos e nem objeções, nem queixas, porque tudo está em perfeito equilíbrio.
Se achardes a mais insignificante coisa intolerável neste mundo, é porque sois intolerável e exclusivista e, como não podeis expulsar ou destruir todas as coisas deste mundo que considerais intoleráveis, vossa existência necessariamente será frustrada, e vivereis no inferno.
Se tolerância for a vossa divisa, sois uma pessoa intolerante porque todos os lemas desta espécie são uma confissão involuntária de vossa verdadeira natureza. A medicina, por exemplo, não pode realmente curar a doença, mas simplesmente declara guerra ao sintoma, enquanto ignora completamente as causas primárias. Como conseqüência, pacientes e médicos, ambos morrem de
uma moléstia ou outra, a despeito de campanhas intermináveis para erradicar germes, micróbios e vírus.
Este é um caso notável de intolerância para com a existência das criaturas de Deus. Absoluta justiça é outra designação que se dá à ordem irrevogável do Universo. Inclui ela o bom e o ruim, certo e o errado. Esses opostos são antagônicos, porque se opõem um ao outro; não obstante são complementares, porque existem e têm que existir lado a lado neste nosso mundo; são eles a frente e o dorso da mesma moeda. Eliminar um em benefício do outro é impossível, mesmo uma tentativa desse extermínio é o máximo da ignorância e intolerância.
O juiz não pode de forma alguma julgar corretamente, se nada conhece da justiça absoluta; e mais, a imposição da lei pela polícia, como bem se sabe, jamais curará a sociedade do crime e nada mais faz do que combater os sintomas sem sucesso pela prisão e punição do criminoso. Substitui a intolerância do sintoma (no caso, o criminoso) pelo estudo e a análise profunda das causas primárias do mal (o crime) e sua cura total. Quem aceita tudo com grande prazer, não necessita saber o significado da tolerância.

Anterior  - MACROBIÓTICA ZEN / CAPÍTULO I

PRÓXIMO  - MACROBIÓTICA ZEN / CAPÍTULO III

sábado, 4 de janeiro de 2014