segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Noel, a dor da separação!

Doeu tanto a separação que somente agora depois de três semanas é que eu consigo falar a respeito.

Ele vivia colado em mim, na sala no sofá ao meu lado, ou no banheiro deitado na minha roupa me esperando enquanto eu tomava banho.
Uma inteligência fora do comum. Ele entendia tudo. Não podia escutar a palavra passear que corria e pagava a guia na boca e vinha todo feliz para os inúmeros passeios que fizemos juntos. De vez em quando ele carregava a guia na boca, e quando fazia isso virava uma atração, todos que passavam davam risadas.
Ele tinha uma caixa cheia de brinquedos, quando eu chegava do trabalho Noel não parava de ficar pegando os brinquedos para mim.

Ele adorava tomar banho,e depois do banho ninguém podia mexer na sua toalha, que de vez em quando ele puxava a toalha pela casa, levando-a para deitar em cima.
Quase não latia, e se latisse devia ter algum bom motivo. Adorava ir à chacara, e quando falavamos vamos para a chácara, ele começava a pular de alegria.

Ele chegou num dia de Natal. Estava super assustado com as bombas, do que ele tinha terror. Por ter chegado nesse dia, colocamos nele o nome de Noel.
Ele tinha cinco camas, três em casa e duas na chácara.
Com a idade, desenvolveu um problema no coração e passou a tomar alguns remedios. Eu sabia que não duraria muito, mas nem pensar no momento da separação.
Adorava frutas, das que eu me lembro, com exceção de bananas, comia todas.
Muitas vezes, deixei de sair para ficar ele. 

Ficou internado apenas dessa última vez, em que ele foi para não mais voltar. Fiquei com ele bastante no hospital. Peguei ele no colo, abracei e o acariciei, no fundo sabia que estava me despedindo.
Não davamos um passo sem ter o Noel por perto.
Os passeios de carro: Ele adorava andar no carro e últimamente ele entrava no carro e não queria sair. Não sei porque mas queria permanecer no carro. Ele estava ficando velho, e quando envelhecemos acho que desenvolvemos algumas manias.

Em casa, tudo que fazemos nos remete a ele. No escritório ao afastar a cadeira, me surpreendo indo  devagar com a cadeira para não pegar o Noel. No banheiro, me supreendo pondo a camisa estendida para ele deitar. Quando chego, a casa parece vasia. Ao chegar o Noel era sempre o primeiro a me receber e a festejar a minha chegada.

A casa está vasia, não vai ser fácil conviver com a sua ausência. Tudo nos remete a ele.A saudades é imensa. Mas essa é vida. Essa é única certeza que todos nós temos. Entramos nessa vida e um dia dela sairemos, e quando um dia eu sair dessa minha vida, espero que Deus me presenteie com outra existência a lado do Noel.